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O PODER DAS ERVAS DE XANGÔ

(Luiz de Miranda – Pai no Santo)

Todo Umbandista sabe da importância das ervas em seus rituais. Conhecer e saber manipular essas ervas, é entrar em contato com o axé de seu Orixá.

Enquanto Oxosse é o domínio das florestas, Ossãe é o dono de todas as folhas, aquele que detém os segredos que envolvem a vida vegetal. Por conta disso, antes de se colher uma erva, é de suma importância a permissão de Ossãe, para que então, a erva possa ser utilizada manifestando seu poder curativo ou de limpeza. Para se ter essa permissão, é preciso fazer a saudação a esse Orixá: ewê ô, ewê ô, Ossãe!

Cada folha, raiz, casca etc. possuem substâncias que ativam o axé de um determinado Orixá. Cabendo aqui, saber que uma folha pode pertencer a dois ou mais Orixás. Isso se dá, pelo simples fato, de assim como uma erva possui várias substâncias, e está ligada a vários elementos, natural que diferentes Orixás se manifestem através de seu uso. Ex: arruda, uma erva quente, consagrada a Exu e também aos Pretos Velhos, possue propriedades variadas: ao mesmo tempo que descarrega, pode também, esgotar nossas energias vitais. Logo, não deve ser tomar um banho dessa erva sem misturá-la a uma outra erva com propriedades mais amenas, e que garanta o equilíbrio de nossas energias. Neste caso, pode-se misturá-la ao manjericão ou folhas de algodão (essas, consagradas a Oxalá).

No caso das ervas de Xangô, vamos estar manipulando as energias do equilíbrio, da determinação, do entusiasmo, da paixão, da justiça. Por conta disso, aconselho a quem for fazer um banho para este Orixá, ter o cuidado de estar com sua consciência limpa, livre de ressentimentos, mágoas ou desejo de vingança.

No caso de estar sofrendo alguma injustiça, calúnias, falsidade, perseguição de inimigos ou com dificuldades para tomar uma decisão, aconselho banhos com uma ou mais, dessas ervas: quebra pedra, manjericão roxo, folha da costa (saião), cordão de frade, erva de São João, folhas de jambo (esta, excelente para se proteger de demandas).

Na dificuldade de relacionamentos afetivos/amorosos: aperta ruão (betis cheiroso), hibisco, elevante, para raio.

Para vencer o desânimo, a fadiga, a depressão: negamina, elevante, para raio, folhas de café, folhas de jamelão, folhas de jaborandi (esta, deve ser misturada ao saião).

Lembrando, que essas orientações servem para auxiliar a cura desses males, através do estímulo na sua alma, e no seu espírito, favorecendo então, ao seu corpo, produzir as energias necessárias para superar e vencer essas dificuldades.



ORAÇÃO A XANGÔ:


“Ao meu pai Xangô, eu peço na benção de Oxalá que atenda às minhas palavras, que ouça meu coração por amor a Orumilá.

Ao meu pai Xangô, eu peço a sua misericórdia e proteção para minha vida.

Ao meu pai Xangô, eu peço que seja digno de carregar em minha vida a sua proteção, a sua benevolência e sua força.

Ao meu pai Xangô, eu peço que abra os meus caminhos e que eu consiga enxergar em minha alma, as imperfeições que não me deixam enxergar a luz divina do Criador.

Que meu corpo e meu espírito, sejam curados pelos seus ensinamentos Divinos. Ao meu pai Xangô, pela minha verdadeira fé e devoção.

Eu peço que ouça minhas palavras e que eu, seja digno de seu perdão.”

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SUA FÉ É RESPEITADA?

          No ano de 1990, meses antes de perder sua irmã de 29 anos de idade para um adenocarcinoma no mediastino, o Pai no Santo passa por uma experiência extremamente desagradável e revoltante, que bem retrata o racismo religioso no Brasil. Isso aconteceu no Iaserj, um hospital para os servidores do Estado do Rio de Janeiro. Era por volta das dezesseis horas. Enquanto acompanhante da irmã, ele decide ir tomar café num bar próximo ao hospital e retorna vinte minutos depois. Tempo que foi suficiente para um pastor entrar no quarto e oferecer uma oração. Voltando então do seu café, ele encontra a irmã que já vinha extremamente debilitada por conta da doença, agora, com semblante ainda mais triste e constrangido. Ele então procura levar palavras de consolo e ânimo, ao que ela responde: “_ Meu irmão, por favor, não quero que esse tipo de religioso venha fazer oração pra mim.” Ele de imediato, pergunta:  “_ O que houve?” Ela então relata o ocorrido: “_ Quando você saiu para tomar seu café, um homem de terno se apresentou como pastor da igreja universal e me perguntou se podia fazer uma oração pra mim, Como ele parecia ser uma boa pessoa e foi muito educado, eu disse que sim. Ele fez a oração, pediu pela minha saúde, e em seguida me perguntou se eu aceitava Jesus Cristo como salvador, e eu respondi que sim. Ele então disse que a partir daquele momento eu estava curada. Só que ele então perguntou qual era minha religião, o que eu respondi, que era espírita. Então ele me disse que eu teria que renegar minha religião. Eu disse que não, jamais iria renegar minha fé. Daí ele falou que infelizmente o câncer voltaria e me levaria pros braços da morte. Eu disse a ele que preferia morrer, a ter que conviver com cristãos como ele. Não quero irmão, não quero esse tipo de gente fazendo oração pra mim.”

            Em outra ocasião, anos depois, o racismo e a intolerância religiosa voltam a atacar o Pai no Santo. Dessa vez, no Hospital Regional Darci Vargas, em Rio Bonito. Indo visitar um Filho de Santo na Unidade Intensiva, o Pai no Santo se depara com uma senhora que estava ao lado do leito de seu filho perguntando se podia fazer uma oração. Como o doente estava sob efeito de fortes medicamentos, não tinha condições de responder; o que fez com que a mulher iniciasse a sua oração. Em voz alta e de tom feroz, ela dizia: “ _ Em nome do Senhor Jesus eu expulso os demônios de Pombagira, Exu, Ogum e todos os demônios dos tambores, das encruzilhadas... .” quando então foi interrompida pelo Pai de Santo; gerando na mulher um comportamento agressivo e ameaçador. Dizia ela, agora em tom mais elevado de voz: “_ Você não pode querer calar a voz de uma ministra de Deus. Seus demônios serão jogados por terra... .” quando então o Pai no Santo pediu ao funcionário responsável pela vigilância da Unidade, que retirasse a mulher do ambiente. No que foi prontamente atendido.

            Esses são dois exemplos dos milhares de outros que acontecem todos os dias, atingindo seguidores das religiões de matriz afro-brasileira. E não é à toa, afinal, não faltam umbandistas que se silenciam diante de tais fatos, e como se não bastasse o silêncio, ainda permitem que seguidores de outras religiões lhes imponham sua fé como sendo superior as demais.

            O Umbandista de fato, sabe sua origem, conhece seus Santos, suas rezas, seus cantos e louvores. Não é de hoje que a Umbanda se livrou do peso do sincretismo, dos santos que nunca foram seus, dos ritos e rituais que nunca lhes pertenceram. O Umbandista de fato, sabe a quem recorrer nas horas de aflição e desespero, e não precisa que outro religioso venha em seu socorro para rezar ou orar. Sim, não precisa! Sabe por quê? Porque o Umbandista sabe que aquela pessoa não está oferecendo uma oração para aliviar teu sofrimento. De forma dissimulada, ela quer que o Umbandista negue sua religiosidade, abandone seus Guias e Orixás. Como pode uma pessoa que frequentemente está na igreja ouvindo e dando glórias a voz de um padre ou pastor, e que não mede palavras para demonizar a Umbanda, orar por quem é Umbandista? De que vale uma oração que sai da mesma boca que chama nossos Santos de demônios?

            O Umbandista de fato, sabe o poder de seus Santos, o sangue que derramaram, o suor sofrido e causticante ardendo na pele preta, o fogo impiedoso das fogueiras da inquisição, a lâmina cortante e afiada das guilhotinas. O Umbandista de fato, sabe que seus ancestrais e antepassados morreram para garantir a liberdade aos seus  descendentes. Trazidos à força e amontoados nos navios negreiros, chegam ao Brasil e são obrigados a se batizarem do lado de fora das Igrejas, porque de acordo com as interpretações bíblicas, o preto era um ser sem alma, amaldiçoado...

            Quando um Umbandista respeita outras manifestações religiosas, não quer dizer que ele tenha que se subjugar. Os Santos da Umbanda também têm suas histórias, sua cultura, suas bênçãos e seus poderes.

            Seu Orixá está vivo e pulsante em você. Não deixe que o matem!

                                                                                                   (Luiz de Miranda-Pai no Santo)

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