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O PEREGUN


O Peregun é uma das folhas mais antigas e conhecidas no meio Umbandista. Erva sagrada utilizada em quase todos os rituais, traz consigo muitos fundamentos e mitos. Um deles diz: “ Peregun presenciou o crescimento da humanidade. Sempre há de nos trazer sorte. Peregun segura nossa sorte, segura a sua presa no dia da caça e assim, alimenta os seus filhos.” Neste mito, a explicação de que o Peregun nos protege de nossos opositores e faz com que nos harmonizemos com os nossos semelhantes.

Outro mito: “ Peregun fez pacto com Aje (divindade da prosperidade e riqueza. Mãe ancestral) para sua vinda à Àiyé( Terra ou mundo físico, paralelo ao orun) Ifá dissera, quando Peregun o procurava pela sorte, se você quiser ter sorte, deverá ajudar a humanidade, fazendo um pacto com Aje, para poder sempre ter e poder emanar sorte, para quem lhe procurar por sua ajuda. Foi então, que Peregun tinha feito pacto com Aje antes de vir ao mundo, mas não tinha quem o pudesse levar para Àiyé. Novamente foi a Ifá, e este dissera: Peregun se você quiser realizar o seu trabalho em Àiyé procure por Ogun, pois ele sempre está indo para Àiyé. Peregun procurou por Ogun, mas ele só levaria Peregun, se ele dividisse a sua sorte com ele. Foi então que Peregun tinha aceitado, e por essa razão Ogun lhe dissera: “Vou dizer a toda humanidade, que Peregun emana a sorte, e quem com ele ficar será agraciado pela mesma”. Desde então Peregun foi conhecido e muito procurado por todos em Àiyé”.

“É Peregun que chama os Espíritos do além para a Terra”.

Observa-se neste mito, o poder de Peregun em chamar as riquezas do além, para quem dele faz uso adequadamente.

O nome Peregun vem da contração do verbo “PÈ”, que significa chamar, com o verbo “EGÚN” que significa espírito, ancestral. Logo, entende-se que essa erva é usada para “evocar” os Espíritos de forma segura e proveitosa. Pois, a própria pronúncia de seu nome já funciona como um “ofò” (elogio). Nossos ancestrais então, entenderam que se o Peregun pode chamar os Espíritos, pode chamar a riqueza!

Esta folha é usada para proteger e encaminhar os Filhos no Santo, principalmente em sua iniciação na Umbanda. Ela está presente desde a camarinha até a coroação. Seu uso traz segurança e bom desempenho nos Trabalhos realizados dentro da Casa de Santo. Afinal, ela nasce com o Orixá e acompanha seu filho por todo sempre.

Algumas louvações feitas por nossos ancestrais a esta sagrada folha:

“Das folhas do Peregun nasceu uma mulher encantada que dá a essa folha, todo o poder da natureza).

“Nós saudamos suas folhas”.

“Ela leva os Espíritos da escuridão para outro lugar além do mar).

“O Peregun tem um grande poder.

Erva consagrada a Ogun e com forte ligação com Oxum, devido a sua associação com a água.

É considerada uma folha de excitação masculina, ligada a terra.

Existe também o Peregun listrado e vermelho. O listrado é oferecido a Logun, Oxumaré e Oxosse. Já o vermelho, também conhecido como erva-fogo, é oferecido a Xangô e Iansã.

(Por Luiz de Miranda – Pai no Santo)

Fontes de Pesquisa: Tradições do Candomblé/Blogspot

Peregun vermelho


Peregun listrado






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SUA FÉ É RESPEITADA?

          No ano de 1990, meses antes de perder sua irmã de 29 anos de idade para um adenocarcinoma no mediastino, o Pai no Santo passa por uma experiência extremamente desagradável e revoltante, que bem retrata o racismo religioso no Brasil. Isso aconteceu no Iaserj, um hospital para os servidores do Estado do Rio de Janeiro. Era por volta das dezesseis horas. Enquanto acompanhante da irmã, ele decide ir tomar café num bar próximo ao hospital e retorna vinte minutos depois. Tempo que foi suficiente para um pastor entrar no quarto e oferecer uma oração. Voltando então do seu café, ele encontra a irmã que já vinha extremamente debilitada por conta da doença, agora, com semblante ainda mais triste e constrangido. Ele então procura levar palavras de consolo e ânimo, ao que ela responde: “_ Meu irmão, por favor, não quero que esse tipo de religioso venha fazer oração pra mim.” Ele de imediato, pergunta:  “_ O que houve?” Ela então relata o ocorrido: “_ Quando você saiu para tomar seu café, um homem de terno se apresentou como pastor da igreja universal e me perguntou se podia fazer uma oração pra mim, Como ele parecia ser uma boa pessoa e foi muito educado, eu disse que sim. Ele fez a oração, pediu pela minha saúde, e em seguida me perguntou se eu aceitava Jesus Cristo como salvador, e eu respondi que sim. Ele então disse que a partir daquele momento eu estava curada. Só que ele então perguntou qual era minha religião, o que eu respondi, que era espírita. Então ele me disse que eu teria que renegar minha religião. Eu disse que não, jamais iria renegar minha fé. Daí ele falou que infelizmente o câncer voltaria e me levaria pros braços da morte. Eu disse a ele que preferia morrer, a ter que conviver com cristãos como ele. Não quero irmão, não quero esse tipo de gente fazendo oração pra mim.”

            Em outra ocasião, anos depois, o racismo e a intolerância religiosa voltam a atacar o Pai no Santo. Dessa vez, no Hospital Regional Darci Vargas, em Rio Bonito. Indo visitar um Filho de Santo na Unidade Intensiva, o Pai no Santo se depara com uma senhora que estava ao lado do leito de seu filho perguntando se podia fazer uma oração. Como o doente estava sob efeito de fortes medicamentos, não tinha condições de responder; o que fez com que a mulher iniciasse a sua oração. Em voz alta e de tom feroz, ela dizia: “ _ Em nome do Senhor Jesus eu expulso os demônios de Pombagira, Exu, Ogum e todos os demônios dos tambores, das encruzilhadas... .” quando então foi interrompida pelo Pai de Santo; gerando na mulher um comportamento agressivo e ameaçador. Dizia ela, agora em tom mais elevado de voz: “_ Você não pode querer calar a voz de uma ministra de Deus. Seus demônios serão jogados por terra... .” quando então o Pai no Santo pediu ao funcionário responsável pela vigilância da Unidade, que retirasse a mulher do ambiente. No que foi prontamente atendido.

            Esses são dois exemplos dos milhares de outros que acontecem todos os dias, atingindo seguidores das religiões de matriz afro-brasileira. E não é à toa, afinal, não faltam umbandistas que se silenciam diante de tais fatos, e como se não bastasse o silêncio, ainda permitem que seguidores de outras religiões lhes imponham sua fé como sendo superior as demais.

            O Umbandista de fato, sabe sua origem, conhece seus Santos, suas rezas, seus cantos e louvores. Não é de hoje que a Umbanda se livrou do peso do sincretismo, dos santos que nunca foram seus, dos ritos e rituais que nunca lhes pertenceram. O Umbandista de fato, sabe a quem recorrer nas horas de aflição e desespero, e não precisa que outro religioso venha em seu socorro para rezar ou orar. Sim, não precisa! Sabe por quê? Porque o Umbandista sabe que aquela pessoa não está oferecendo uma oração para aliviar teu sofrimento. De forma dissimulada, ela quer que o Umbandista negue sua religiosidade, abandone seus Guias e Orixás. Como pode uma pessoa que frequentemente está na igreja ouvindo e dando glórias a voz de um padre ou pastor, e que não mede palavras para demonizar a Umbanda, orar por quem é Umbandista? De que vale uma oração que sai da mesma boca que chama nossos Santos de demônios?

            O Umbandista de fato, sabe o poder de seus Santos, o sangue que derramaram, o suor sofrido e causticante ardendo na pele preta, o fogo impiedoso das fogueiras da inquisição, a lâmina cortante e afiada das guilhotinas. O Umbandista de fato, sabe que seus ancestrais e antepassados morreram para garantir a liberdade aos seus  descendentes. Trazidos à força e amontoados nos navios negreiros, chegam ao Brasil e são obrigados a se batizarem do lado de fora das Igrejas, porque de acordo com as interpretações bíblicas, o preto era um ser sem alma, amaldiçoado...

            Quando um Umbandista respeita outras manifestações religiosas, não quer dizer que ele tenha que se subjugar. Os Santos da Umbanda também têm suas histórias, sua cultura, suas bênçãos e seus poderes.

            Seu Orixá está vivo e pulsante em você. Não deixe que o matem!

                                                                                                   (Luiz de Miranda-Pai no Santo)

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